esta semana ocorreu-me algo curioso. havia um clima diferente, e me refiro ao tempo que fazia em fortaleza.
'sexta-feira, 16:35
um fim de tarde nublado que me trouxe lembranças felizes. peguei-me sorrindo enquanto pintava um papel com lápis prata. lembrei de uma carta que escrevi para uma amiga (mas não mandei), comentando que a cunhada da minha tia era 'boazuda' - aos 14 ou 15 anos, por aí - e minha tia pegou. lembrei dessa mesma cunhada me chamando para assistir a um maracatu no interior e eu sem conseguir deixar de olhar para aquele decote. ah, aquele decote... (acho que sorri porque lembrei desse decote. desde este dia que a gravidez exerce um fascínio indomável sobre mim).
lembrei-me ainda... não, a memória me fugiu agora. mas eu sei que isso se deve ao fato de o céu estar nublado e eu me sentir muito bem quando ele está assim.'
fui visitar um blog de letras bonitas - beleza copiada das fotos do autor... ou seriam as fotos incorporação das suas idéias escritas? - e cheguei, mais uma vez, à conclusão que poemas não são para mim.
falo de rima, falo de compasso, falo de decassílabos. falo também de sensibilidade para perceber as coisas e conseguir personificá-las.
me sinto mais à vontade passeando em narrativas, descrições. tegiversar apenas pelo prazer de ver as palavras se desenhando em cima do papel, na frente do monitor. é mágico para mim, ver cada uma daquelas letras se formando, adquirindo consistência, adquirindo um significado. mas o poeta faz mais do que isso. como e porque, eu não sei. mas ele faz. e acho que não saber fazer isso me dá um pouquinho daquela sensação de "a raposa e as uvas". nem gosto muito de poesia, sabe. mas acho que se tivesse a fluidez dos poetas, eu gostaria de poesia sim.
enquanto isso, vou lendo o calvino.
(ps. não só lendo o calvino. fazendo origamis para enfeitar a árvore de natal.)